Eu adoro as causas perdidas, sou senhor das causas perdidas. Como um Dom Quixote hodierno, insisto e invisto contra moinhos, fortalezas de pedra, concreto ou do aço mais duro. Eles não cairão, não se abalarão, não tremerão, pior, nem um risco sequer provocarei contra suas invencíveis carcaças. Serei eu o louco, o único demente, um sonhador inclemente; nem serei um inimigo digno de nota, estarei mais para um idiota, janota.
Que culpa tenho eu se os moinhos cresceram em fortificação, devo pagar por isso com minha mortificação? Não veêm os senhores, doutores, que continuam os mesmos podres moinhos a merecer a ponta da lança? Isso cansa, essa luta inglória, pelos que não valorizam a memória, que não respeitam uma vida, uma história inteira de lutas.
Devo abaixar a minha lança, meu velho amigo. Quem serás tu? Um Sancho Pança? Seremos nós, dois velhos companheiros, sem mais alegorias? Hoje não há mais espaço para os heróis de Andaluzia, que um dia esse sol de Espanha viu no seu solo pelear.