Posts de Maio, 2006

Minhas onze (razões)

Maio 30, 2006
Essas são as minhas onze razões para não gostar de futebol. Explicando melhor, nada contra o esporte bretão, que como esporte é tão bom quanto outro qualquer, mas contra o futebol profissional. O futuebol profissional é um esporte extraordinário para os atletas que ganham verdadeiras fortunas para praticá-lo. Pode ser um esporte excelente também para fabricantes de materiais esportivos, para a mídia, para a cartolagem, para técnicos, para empresários, enfim, para todo aqueles que fazem do futebol esse forma de arrancar verdadeiras fortunas.

Para o público não vejo vantagem nenhuma nessa superprofissionalização do futubol, afinal de contas, é o público que paga a conta de tudo isso, que paga os salários milionários, que mantém esse circo milionário.

Reação Esperada

Maio 30, 2006
Essa corrida armamentista de alguns países em busca de armas atômicas não deixa de ser uma resposta à política imperialista imposta pelos Estados Unidos e Bush. Ao ver seus índices políticos cairem, e depois dos ataques de 11/09, levados a efeito pela gangue saudita de Osama Bin Ladin, Bush atacou o Iraque, que qualquer país serviria para exercer a sua prepotência dominadora, passando por cima da ONU e de qualquer lógica.

Este ataque não provocado, imotivado, fez ver a vários países que não havia um mecanismo de defesa para a prepotência norte-americana, ou seja, se arvorando e assumindo um papel que não lhe foi designado, mas desempenhado com base na “força bruta”, os americanos se tornaram uma ameaça para qualquer regime que não lhes agradasse no mundo.

As alegadas – e falsas! – motivações de que as intervenções destinavam-se a libertar o povo Iraquiano do jugo de um ditador, não se sustentam. Fossem verdadeiras, exigiriam a invasão da China, ou da Arábia Saudita – país amigo e aliado, apesar de ser uma terrível ditadura -, sob a mesma alegação.

Sem condições de armar-se para fazer frente a tecnologia e ao poderio do exército americano, sem poder contar com a o respeito às leis internacionais – as quais os norte-americanos descumprem e recusam-se sistematicamente a assinarem – e ainda com uma ONU totalmente desrespeitada pelos norte-americanos, esses países viram na posse de artefatos nucleares uma única forma de neutralizar esse poder.

Portanto, como aconselha o sábio ditado, quem planta ventos, colhe tempestades.

Dos bodes aos blogs

Maio 30, 2006
Eu fiz um blog de bodes, e ficou legal, este é um blog de peixes. É como estou me sentindo hoje aqui em Porto Alegre, um peixe, pior do que um peixe, você se sente uma lesma mergulhada num frio úmido. E não é pelo frio, coisa que já estamos acostumados, mas pela combinação dele com a umidade e com a poeira.

Você já se sentiu num frio pegajoso, onde as coisas “pegam”, onde as paredes, mesas, e até as pessoas ficam pegajosas, com um camada de umidade que acaba por se misturar com algum pó pré-existente formando uma eca pegajosa indefinível, olha, meu, não é fácil. No final do dia você fica cansada dessa sensação, de saco cheio desse tempo, só querendo que o dia acabe o mais depressa possível.

Não vou continuar tentando definir a sensação que esse tempo chuvoso, frio e úmido do sul provoca nos seres vivos. Vou encerrar sintetizando em poucas palavra para que você entenda: é um tempo que faz mal para o espírito, ele é malévolo, ele tem alguma parte com o “devil”.

Conselhos ou ordens?

Maio 30, 2006
Faça o que eu digo, não faça o que eu faço. Bom cabrito não berra. Água de morro abaixo, fogo de morro acima e mulher quando quer dar, ninguém segura. Se conselho fosse bom a gente não dava, vendia. Seguro morreu de velho – e de tédio também. Quem não arrisca não petisca. Tudo bem, mas o que é petiscar?

Petisco, s. m., comida saborosa; gulodice; pitéu. Termo bonitinho esse, que carrega todo o seu significado, pitéu, só de pronunciá-lo você percebe que está se referindo a um legítimo piteuzinho.

Perguntei ao bode Jonathas em quem devia votar nas próximas eleições. Ele sacudiu a cabeça, raspou os cascos no chão, cuspiu longe e disse: Nééééééééééé! Tá bom! Eu também acho que nééééééé…

Argumentos de (maus) perdedores

Maio 30, 2006
Estava lendo um artigo de um desses maus perdedores sobre as eleições na Colômbia. A vitória do atual presidente com 62% já no primeiro turno, segundo esses maus perdedores não convenceu. E começa a matemática dos maus perdedores. Porque não votaram não sei quantos, porque a oposição cresceu não sei quantos por cento, porque se… Bom! Vamos encurtar a conversa desses maus perdedores. Eles querem fazer crer que 22 é maior do que 62, e se você não se segurar muito nas suas convicções é capaz deles conseguirem com seus sofismas te convencerem disso.

Esses mesmos “democratas” não lembram que na Venezuela votaram nas últimas eleições um quarto dos eleitores, ou que Chávez – com seu sistema democrático de identificar os eleitores – obteve quase 100% dos votos. Onde já se viu resultado democrático como esse? Isso cheira a “democracia cubana”, Fidel é tão bom que já está há mais de 40 anos no poder.

As coisas não funcionam assim meus amigos, nem todos os que vos lêem são estúpidos, vocês não estão escrevendo só para néscios. Muitos raciocinam, interpretam, conhecem um pouco do mundo, entendem os interesses que se escondem nas entrelinhas. Não estou afirmando que Uribe não tenha seus interesses ou seja um presidente perfeito, mas é possível defender a plataforma das guerrilha terrorista mantida pela cocaína das FARC?

Um grupo continua sonhando com uma utopia, sem nenhum modelo prático que o sustente. Defendem – embora não admitam – modelos em que o regime comunista foi adotado com a derrocada democrática. Ou acham, por acaso, que a China é democrática? Ou, quem sabe, Cuba? Ou talvez a Coréia do Norte? Depois, o mundo deve lembrar dos privilégios de quem é do “partido”, ou seja, trocam-se os exploradores por outros, enquanto que para o resto do povo continua tudo na mesma, ou até piora, porque passam a viver sem democracia.

O capitalismo é uma merda? Verdade, o típo de regime que privilegia quem tem dinheiro. Agora, meus amigos, prefiro um milhão de vezes assim; prefiro viver pobre, mas com liberdade, do que viver pobre e sem a liberdade (vejam o paraíso de miséria cubano!) e ter ainda que conviver com os privilégios dos “macacos imbecis do partido”.

Palavrórios

Maio 30, 2006
Fala-se muito em disciplinar as regras do jogo, fala-se muito em torná-las mais estritas, restritas, transparentes, tudo porque numa competição em que a ética não entra nem como figura decorativa, as regras devem ser mesmo muito rigorosas. Poder-se-ia criar mesmo uma lei sobre isso: quanto mais canalhas forem os contendores, mais rigorosas, menos elásticas devem ser as leis do jogo.

É certo supor que numa competição onde reine a ética, certas normas são até dispensáveis, aquelas que os contendores já trazem do berço. Mas, quando se trata de disciplinar disputas entre canalhas, o bom é se prever a ocorrência de qualquer jogada suja, porque a presunção de que ele possa ocorrer é quase uma certeza. Não basta subtender-se que “enfiar o dedo no olho do adversário” é jogada suja, precisa um dispositivo dizendo isso e a previsão de sanções para quem praticar o ato.

Isso tudo porque ninguém pode dar aquilo que não têm, ninguém pode ter um comportamento ético se não tem uma vida regrada por ela. No nosso caso somos todos culpados, somos todos dominados por essa inclinação pelo mal, e faremos o mal, a não ser que sejamos muito bem controlados, muito bem vigiados. Lembram daquele ditado que diz “a ocasião faz o ladrão”? Para não sermos só tem um jeito: não nos dêem a ocasião!

Atrás das grades

Maio 30, 2006
Confesso que, não por culpa da natureza, praticamente imutável e que só reage às agressões que lhe desfere esse animal irracional chamado homem, cada vez mais nos sentimos compelidos a fechar as nossas janelas para o mundo. Ou, para sermos mais realistas, isso é só a constatação de um processo que já vem ocorrendo a cada dia e há muito tempo.

Ninguém pode negar que quase inexistem janelas sem grades nas nossas casas hoje em dia. Pior, já habituamos o nosso olhar a elas, e vemos através dessa nova realidade, a imagem que se forma além e composta com esses casulos de ferro é natural. O mundo lá fora é multifacetado, como se o olhassemos com o olhar composto dos insetos. Inúteis grades: tentativa de manter a maldade lá fora sem impedir que alguma beleza entre aqui dentro.

O nível dessas maldades que se vê no mundo é cresce a cada dia, já são tantas as formas de agressão, que você busca se refugiar num outro mundo, torna-se priosioneiro de um pequeno mundo, forma um microcosmo onde se protege, se isola, e passa a viver uma vida artificial em relação ao mundo lá fora.

Enquanto isso, nós imaginamos que estamos separando os criminosos dos cidadãos, mandando-os para trás das grades. Quem está atrás das grades?

Mistérios…

Maio 29, 2006
Você permanece um mistério para mim, se conheço um pouco da tua essência como pessoa, não posso dizer o mesmo da tua imagem, do teu rosto que eu nada sei, você continua sendo um mistério para mim. Criei, nos meus sonhos, nos meus devaneios, uma imagem para te representar, mas uma imagem sem o mínimo compromisso com a realidade. Até quando continuarás sendo alguém sem um rosto, sem um nome?

Perodoa-me se faço uma idéia totalmente errada de você, se essa idéia que faço não tem nada a ver com a tua realidade, com o alguém que realmente é você. Como eu disse, é só um devaneio…

Pipoca com guaraná

Maio 29, 2006
Ultimamente tem sido difícil fugir dessa armadilha: falar sobre os problemas nacionais. Para isso eu teria que escolher outro tema, um outro assunto. Sei que é uma bobagem, que não há nenhuma divisão rigida, mas normalmente separo os meu blogs por assuntos, o nome desse blog, Pipoca, que poderia sugerir temas ligados ao cinema, acabou sendo um lugar onde falo mais sobre política nacional.Ocorre que até nos meus blogs sobre cinema, o assunto anda escasso, porque o cinema não atravessa na atualidade uma das suas fases de maior brilhantismo – isso para não dizer que a safra dos filmes atuais é uma, como posso amenizar o adjetivo, vamos dizer uma safra “fraquinha”. Então, apesar do nome pipoca sugerir essa exclusividade cinematográfica, resolvi deixar o cinema de lado.Não sei se ocorre só comigo, mas vivo intensamente a política nacional, acompanhando com interesse o noticiário diariamente. Essa saturação se deve a uma situação de crise quase diária do setor, e isso acaba cansando! Ou talvez o cansaço se derive da constatação de que pouco se pode fazer para resolver os nossos problemas, a maioria deles advindos de uma população despolitizada e de baixo nível educacional.

Não levem isso muito a sério, acho que é um desabafo. Um grande abraço e até a próxima!

De tanto ver…

Maio 29, 2006
Sempre lembro das palavras cheias de sabedoria e, infelizmente, sempre atuais, de Rui Barbosa, naquele célebre discurso no senado federal:
“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

E o pior de tudo isso é a atualidade dessas palavras, que, se hoje fossem proferidas, fariam o mesmo sentido, teriam a mesma validade, seriam perfeitas para retratar o momento atual por que passa o nosso Congresso Nacional e o país.

Não é isso fruto da genialidade inconteste de Rui Barbosa, mas da nossa teimosia de errar como nação, na nossa insistência em permanecer baseados em preceitos falsos, em praticar um moralismo fingido, um empreguismo deletério no governo, a um uso da máquina pública em uso próprio que envergonha a todos.

Nosso povo segue sendo um escravo da sua própria deficiência, alimentando um esquema que o consome, num motocontínuo que vara os séculos e não se soluciona porque a sua solução implica na morte desse esquema que se mantém pela deficiência.