Posts de Dezembro, 2006

Promessas

Dezembro 31, 2006
Não vou prometer nada para esse ano de 2007. O que tiver que ser, será. Melhor assim, sem planos ou objetivos previamente fixados, serei um cara de pau, farei como o nosso competente presidente que, cansado de ver todas as suas previsões cairem por água baixo, agora não promete mais nada condicionado a números. Coisa do tipo, vamos crescer em 2007, o quanto, que é o “x” da questão, ele não se atreve a anunciar.

Antes eram promessas carregadas de “xisizes”, tipo x milhões de empregos, x % no pib, x % de retirados da miséria; depois de fracassar nas metas, que ficaram muito longe dos xisizes anunciados, agora não há mais números nas metas, ou seja, não são mais metas, ou coisas que mereçam usar esse nome. São apenas boas intenções – aquelas das quais o inferno está cheio!

Assim não me cobrem metas, estou seguindo o (mau) exemplo do “melhor presidente que o país já teve” – com o menor nível cultural possível, quer dizer, um verdadeiro milagre! – dado disponível em breve no Guiness Book. Dizem que ele tem mania de colecionar chapéus, infelizmente ainda não o vi vestindo o chapéu que verdadeiramente combina com a sua personalidade, mas agora em 2007, quem sabe?

Maniqueísmos

Dezembro 31, 2006
Maniqueísmo – s. m., doutrina do persa Manes (215-275), segundo a qual o Universo foi criado e é dominado por dois princípios opostos e inconciliáveis, o do bem e o do mal; seita criada em torno desta doutrina; por ext. doutrina fundada em princípios antagônicos (fonte: Priberam – Dicionário da Língua Portuguêsa OnLine).

No Brasil vivemos um maniqueísmo na doutrina política: uma divisão entre esquerda e direita, sem possibilidade de uma posição centrista, ou de posições intermediárias. Isso para não dizer que a direita virou um sinônimo – impróprio – de ditadura, ou que só é politicamente correto ser de esquerda. Ser esquerda virou unanimidade, e qualquer unanimidade acaba sendo burra…

Não concordar com Lula não significa aprovar Bush, o mundo não é tão simples assim; desaprovar Bush não significa aprovar Chávez, perceberam como é complicado e difícil julgar posicionamentos baseados em ser de esquerda ou de direita? Eu não me considero nem uma coisa, nem a outra. Julgo as atitudes em termos dos meus padrões, aprovando ou desaprovando pessoas ou atitudes em conformidade com eles. E acho que esse é o caminho certo!

Saddan

Dezembro 31, 2006
Na ponta de uma corda terminou os dias do “Açogueiro de Bagdá”, como Saddan Hussein era chamado pelos seus detratores. Em todo esse processo ficou um gosto de “justiça mais ou menos bem feita” – é discutível a validade da pena capital -, mas feita de modo e por mãos injustas ou, para citar uma passagem biblica: “Porque enxergas o cisco no olho do teu irmão e não vês a trave no teu”.

Dá para enxergar por detrás da sentença o desejo de vingança na mão do Big Brother Mundial, que se intitula a polícia do mundo, contra um amigo antigo que se tornou inimigo. Desafeto dos Bush, Saddan serviu como um bode expiatório para dar uma resposta – indevida – e para efeitos de política interna, pela incapacidade de pegar o bode real, o bode Bin Ladden.

Até a forma como se deu a execução de Saddan cheira a coisa mal feita, feita à socapa, às escondidas no meio da madrugada depois de um verdadeiro festival de desinformação. Cheirou a “fazer depressa antes que descubram as falhas do processo”. Normalmente os processos seguem ritos demorados, e mais ainda quando a pena capital é aplicada, nesse caso o rito foi sumário, interessadamente sumário.

Segurando o tempo!

Dezembro 31, 2006
As horas vão correndo e nos aproximando do final de mais um ano, 2006 que agora se acaba deixará saudades ou não? Sempre defendi a tese de que não existem bons ou maus anos, os anos não possuem essa qualidade, são apenas espaços determinados de tempo. Normalmente são os acontecimentos particulares de alguém, e que se limitam nesse espaço, é que são bons ou maus, contagiando, para esse mesmo alguém, o ano. O ano acaba sendo classificado do particular para o geral, o que e um grande engano.

Em 2006 tivemos alguns eventos que podem ser justamente atribuídos ao ano, catástrofes, desastres da natureza, que acabaram emprestando a ele uma característica de ano particularmente acidentado. O grande tsunami na Tailândia, a grande enchente em New Orleans são exemplos disso que eu falo. São eventos gerais, não particulares, que acabaram atingindo uma grande massa populacional. Mas, independente desses tipos de casos, os demais, na sua maioria, são particularidades, que modificam uma opinião individual para melhor ou para pior sobre o ano.

Existem muitos que, apelando para os astros, e para outros tipos de ciências e magias divinatórias, chegam a conclusão de que o próximo ano será assim, ou será assado. Grandes inverdades são ditas nesses momentos. O ano será apenas o espaço de tempo onde ocorrerão os atos e fatos que se desenvolvem nessa nossa tragicomédia humana sobre a terra. Em outras palavras, ocorrerão coisas boas e coisas ruins para as pessoas – como sempre – que passarão a dizer que o ano foi bom ou ruim de acordo com os seus acontecidos.

Não se preocupe com o passado, nem com o futuro. Viva a sua única possibilidade real de viver: o presente! Ano novo é todo dia!

Confundiram Saddan com Bin Laden

Dezembro 30, 2006

Essa coisa de justiçar um porque não conseguiu justiçar o outro é doutrina furada, Bushismo no duro. Ei! Saddam não é Bin Laden! Quem colocou os americanos de joelhos foi Bin Laden, não Saddan. Podem se enganar o quanto quiserem, mas essa substituição do mais difícil de pegar pelo mais fácil não funciona, é coisa para americano do norte ver. Acusar o ditador de Crimes de Guerra, baseados numa legislação que se recusam a assinar é mais uma das trapalhadas da estúpida doutrina Bush, que ataca o Iraque para tentar ganhar popularidade no seu país, as velhas guerras eleitoreiras norte-americanos, coisa de quem só consegue ver o seu próprio umbigo.

Que Saddan é – foi – um ditador sanguinário não resta a menor dúvida; que os Eua não tem autoridade e nem credibilidade para impor a sua justiça distorcida ao resto mundo, tenho menos dúvida ainda. O triste é ter que conviver nessa idade das trevas, conduzida por gente das trevas como esse tal de Bush. Como eu sempre digo, o inferno há de ser bem grande e espaçoso para dar espaço para tantos…

Voltando a tempo

Dezembro 29, 2006
Nessa forma de contar o tempo, em que separamos a vida em blocos de anos, dizendo que vivemos um “x” número de anos, diga-se de passagem uma forma imprópria, burra e irreal, já que anos decorridos não são anos necessariamente vividos, mas sobrevividos.

Não fomos feitos para um simples viver; foi o próprio Cristo quem disse: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”. Ter vida em abundância significa aproveitar e valorizar o tempo vivido e não apenas sobreviver.

Isso, de certa forma engloba tudo, porque quem é miserável não tem vida em abundância, para que todos tenham vida em abundância é necessário que haja divisão equitativa dos recursos em todo o planeta, que haja igualdade entre irmãos.

Até lá, não seremos mais do que lutadores, e não teremos a paz…

Não tão rápido, seu Poloio!

Dezembro 29, 2006
Voltei a tempo, nessa contagem regressiva para o encerramento de dois mil e seis. Estamos naquela fase de fazer o balanço do ano que passou, que não serve para nada, e de tentar prever o que irá acontecer no ano que vem, que não é algo honesto – ninguém pode prever o futuro – e por isso mesmo, também não serve pra nada.

Viva o hoje e agora que é a única coisa certa que todos nós temos. O resto é passado ou é balela, papo furado, coisa de adivinho de meia tigela. Soubessem eles não ficariam achacando a escumalha, acertariam na loteria – esses vigaristas.

Feliz hoje, hoje e sempre!

Contagem regressiva

Dezembro 29, 2006
Para o fim do ano. Essa época é pródiga em… como podemos falar sem ferir suscetibilidade, digamos que é uma época pródiga em “magia”. Muitos contabilizando as águas passadas, outros querendo adivinhar as águas que no futuro virão. Não acredito nem em uma providência, nem na outra. Para o passado a sabedoria popular é sábia: “águas passadas não movem moinhos jamais”.

O futuro a Deus pertence, e a ninguém mais. Desconfie de quem quer que seja que diga que sabe o que o futuro lhe reserva; é charlatanice, golpismo, tentativa de extorsão de dinheiro de quem é crédulo. Vida se faz no aqui e agora, sem passados, nem futuros, mas com o presente, o hoje. Viva o seu hoje, essa é a maior e a única sabedoria.

Um feliz hoje para você, agora e sempre!

Festival de Festas

Dezembro 28, 2006
Tempo de festas, haja bolso! Haja tempo! Haja figado! Não necessariamente na ordem de importância ou de necessidade mais premente. E tem poucas saídas, ou não há saída; há que se ter valentia pra enfrentar o período, mas como tudo, passa, até a uva-passa.

Bastasse

Dezembro 28, 2006

Bastasse uma lição
Por si só bastasse
Bastasse uma vida
Pra sofrer e dela
Algum bom viver
Ainda sobrasse

Bastasse um só amar
Aos dois, um bastasse
Não sofreria, todo o dia
Nessa infinita agonia,
Sem saber se haverá
No amanhã um amanhã
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Copyright 2006 – Ronaldo Souza