Posts de Agosto, 2007

Fazer o quê?

Agosto 31, 2007
É preciso fugir da ignorância política, necessário conhecer o meio em que se vive. Ao mesmo tempo é preciso não deixar que o pessimismo tome conta do espírito, acreditar que – mesmo contra toda a lógica! – as coisas podem melhorar no país.

Ser um otimista incorrigível, essa é a fórmula de se viver bem por aqui, assumir o papel do sujeito que ganha a lata com bosta de cavalo e sai a procurar pelo bicho. É o único jeito.

Das Culpas

Agosto 30, 2007
Prócer do governo advoga que as eleições tem o condão de julgar – e de perdoar – os crimes dos governantes. Defende a tese de que, político eleito está absolvido de seus crimes. O povo acima da lei, ou a tese de que se a lei é invocada para defender a sociedade, quando ela própria – que é a atingida – resolve perdoar o criminoso, não cabe a ninguém mais contestar. Joga por ralo abaixo as teorias de ação pública e privada, ou confere ao povo a titularidade formal da ação pública.

O assunto é controverso. Resta saber o que pensam os eleitores quando elegem alguém acusado da perpetração de um crime, ou mesmo se conhecem, se sabem dos detalhes do processo a que responde o acusado. Parece óbvio que isso não ocorre, a opinião pública – da maioria -, por bem ou por mal, pouco conhece ou mal conhece as acusações que se fazem aos nossos políticos. Os mais esclarecidos conhecem alguma coisa através da imprensa. E é só.

Como conferir à multidão ignorante – que desconhece a matéria – e despreparada a função de juiz? Se assim fosse estaríamos abandonando o império da lei e da ordem, voltando a vida primitiva tribal. A tese só se sustenta na defesa do indefensável.

Enquanto…

Agosto 29, 2007
Enquanto não for comigo, tudo bem. Resta saber até quando? Até quando serei espectador, um assistente, alguém que estava presente, mais um na multidão. Enquanto isso a bala perdida encontrava seu alvo, o assassino, sua vítima, o vigarista um otário, o vírus um hospedeiro, o avião fazia seu último pouso…

Saudável

Agosto 29, 2007
Saúda-se nosso Supremo Tribunal Federal pela decisão do rumoroso caso do mensalão (compra de apoio político para o partido do governo através de pagamentos mensais à oposição). Fala-se em independência, integridade e coerência, como se fossem atributos extraordinários, quando são o mínimo que se pode exigir de mais alta corte de país.Entendo que essa decisão não acrescenta, nem diminui o supremo, apenas confirma o que se poderia esperar. Talvez o espanto advenha da nossa costumeira convivência como o torto, com o errado, com o moralmente incorreto. Ou talvez isso dê uma pálida idéia como é extraordinário se cumprir o dever nesse país.

Quando o menos é mais

Agosto 1, 2007
Precisamos, ou pensamos precisar de muitas coisas nessa vida. Não nos sabemos seres completos, plenos, prontos. Temos todo o equipamento para a jornada, tudo o mais não é essencial, mas acessório, opcional.

Nossa jornada será, pois, tão leve quanto nossa capacidade de fugir desses acessórios, de nos mantermos fiéis ao modelo original, ao básico. Lógico: muita bagagem dificulta a caminhada.