Posts de Dezembro, 2007

2008 com Biscoito!

Dezembro 31, 2007
Comparo o ano com uma velha botina. As novas podem parecer bonitos, luzentes, convidativas, mas não possuem o conforto de uma velha, já ajustado ao nosso caminhar. Bastam alguns passos para constatar o desconforto. Mudar de ano não é uma idéia minha, fosse por mim, e teríamos estacionado nos noventa, ali pelos noventa e três e deles eu não me moveria mais.

Não sou novidadeiro, não gosto de modas, sou um conservador, senào em costumes, ao menos nesses hábitos que dizem respeito aos anos e suas constantes mudanças. Quano você começa a se afeiçoar de um: plaft, pluft! Se foi, passou, já era, os anos são muito voláteis para o meu gosto.

Estou tentando me familiarizar com esse desconhecido, com esse 2008, quebrar o gelo, criar uma ligação, uma conexão, um afeto. Até agora nada. Confio no tempo…. só eespero que não demore muito, o prazo é curto, não dura um ano…

Balanço Geral

Dezembro 31, 2007
Nessa nossa ilusão da contagem do tempo, há os que gostem de “fechar o balanço” no final de cada ano. Aproveitam a época para fazer uma espécie de aritmética dos eventos do ano, as coisas positivas em contraposição com as zebras, o que deu certo, com os erros. É uma atitude positiva – eu acho -, deve servir como feedback, um ensinamento para o próximo período que se avizinha.

Antes ter o que corrigir, ter o que lamentar, do que um “nada a comentar”. Infelizmente é assim que eu me sinto nessa época, busco no ano que passou eventos e acho pouca coisa, pouca vida vivida, encontro só o trivial, os fatos da existência, menos do que uma vivência, constato uma sobrevivência. Talvez eu esteja sendo muito rigoroso, talvez…

Um feliz 2008 para todos!

O que posso contar de 2007?

Dezembro 31, 2007
O que posso contar de 2007? Talvez o mais importante seja a possibilidade de ter sobrevivido, de poder estar aqui e agora contando esta história. Canto marra, eu bem sei, escrevo antes que o ano se encerre, considerando essas poucas horas que nos separam do fim do ano como “favas-contadas”, embora admita que “para morrer basta estar vivo”.

Falando em morte, devemos admitir que este foi um ano mortal, não que nos outros não tenha morrido gente, ou que eu deseje alguma coisa parecida com a ausência de mortes do livro do Saramago, mas este ano foi caracteristicamente catastrófico, tivemos uma série de grandes desastres naturais que ceifaram milhares de vidas – além das sempre contabilizadas pelas estúpidas guerras e pelo terrorismo.

O Brasil, que é o que mais nos importa, continuou sendo o velho Brasil de sempre. Os políticos de sempre, a impunidade de sempre, a corrupção de sempre, as estatísticas e as informações maquiadas de sempre, enfim, quase o fim. Só não é o fim porque eles dormem, e enquanto eles dormem o Brasil se recupera…

Falei do mundo, do país, e que dizer de mim? Sinto que o ano não passou, passeou por mim… Um Feliz 2008 para todos nós!

Aversões

Dezembro 30, 2007
Desenvolvi uma aversão pela chamada bolsa de valores. Nada pessoal, nunca ganhei ou perdi um único centavo nessa organização, ao menos na condição de investidor – assalariado e mau poupador, nunca tive capital para investir em nada. Nem sou um opositor desse tipo de investimento, que só conheço superficialmente. Mas minha aversão não é gratuíta, ela tem base, razões, motivos.

A bolva de valores – ao menos para mim, um leigo no assunto – se assemelha em muito a um cassino, a uma casa de jogos, onde se aposta numa série de eventos futuros, desde o preço de uma ação, a vários tipos de mercados futuros. Não vejo nenhum problema nisso, investe quem quer (ou quem pode), joga quem quer, sei que essas ações capitalizam as emprêsas e dinamizam a economia do país.

O que não me parece nada justo, é essa espécie de espada de Dâmocles que paira sobre a cabeça de todos, essa ameaça que parte do princípio de que se a bolsa de valores for mal, se os investidores perderem dinheiro, todos perdem, inclusive os que não são investidores. Aquela injustiça capitalista bem conhecida do privatizar os lucros e sociabilizar os prejuízos.

Por esse motivo – semelhante ao famoso “choque sistêmico^ usado para justificar a ajuda governamental aos bancos privados – é que não gosto nem de ouvir notícia sobre a bolsa de valores. Não haveria um meio menos danoso de incentivar investimentos?

"Verãobernar"

Dezembro 30, 2007
Não procure no dicionário, verãobernar é um neologismo – errado! – uma invenção minha, palavra inexistente, alguma coisa com o significado de hibernar no verão – como se isso fosse possível!. Mas presumindo a possibilidade desse absurdo, eu seria candidato e, à semelhança dos grandes ursos que adormecem durante o inverso, gostaria de poder adormecer durante todo o período do verão e só acordar depois que o calorão tivesse passado.

Absurdo? Pois eu não acho! Não gosto do verão, principalmente do verão aqui de Porto Alegre, com um calor acima dos trinta graus e um alta humidade do ar – que lhe acrescenta ao menos uns três graus centígrados; não falo dos que fogem do calor, pois tem gente que, apesar de dizer gostar do calor, vivem no ar-condicionado ou que, no primeiro sinal de calor, partem para a serra, ou para o litoral. Esses fogem do verão, fogem do calor, não o enfrentam.

Eu, que fico na cidade às voltas com suores e ventiladores, fico torcendo para que a estação passe logo. Não me entenda mal, não é que eu goste do frio, mas acho que moderação faz bem em tudo nssa vida, inclusive no clima.

Aritmética da Felicidade

Dezembro 29, 2007
Sentei em frente ao computador e fiquei pensando sobre o que escrever. Decidi que deveria dizer algumas palavras em honra a este ano que breve estará partindo, 2007. Ontem começaram as famaosas retrospectivas do ano, no rádio e na tv e, não que seja uma exclusividade de 2007, mas as desgraças costumam povoar esse tipo de programa, o velho esquema, apavora-se o assistente com a realidade e, ao final, inventa-se um fecho feliz de novela.

Para quem fez a edição desse tipo de programa foi uma barbada! Achar desgraças em 2007 é tão simples como escolher qualquer dia, o ano parece ter produzido em cada dia uma catástrofe. Temporais, terremotos, tsunamis, tornados, inundações, etc, foram uma constante durante o ano. Tudo sempre acompanhado da discussão sobre quem seria o culpado por tão grande número de catástrofes naturais: a própria natureza ou o homem que aos poucos vai a destruindo.

Se o global não vai lá muito bem das pernas, parece restar o pessoal, o individual. O ano será bom ou ruim de acordo com a história de cada um, com um maior ou menor número de catástrofes acontecidos durante os 365 dias de 2007, comparada com o número de acontecimentos felizes. Tudo uma questão de mais ou menos, uma aritmética da felicidade. Quem nasce no Brasil já começa esse balnço com -3….

O Alvissareiro

Dezembro 27, 2007
Guardasse uma lógica, uma realidade entre o alvissareiro, as alvíssaras e a realidade e seríamos todos felizes. Muito felizes! Mas o alvissareiro aparece, conta as alvíssaras, você olha para a realidade circundante e constata que alguma coisa está errada. Corrijo: muitas coisas estão erradas, a descrição não concorda com o descrito, o meio não correspondente, não existe o milagre que exalte e justifique a beatificação, a criação de um novo santo.

Tudo está bem, a economia vai bem, como nunca!, diz o candidato a santo, os números comprovam e atestam resultados fantásticos. Quais resultados? Esse número impressionante de crimes contra o patrimônio e contra a pessoa: ou seria esse massacre nas estradas (que estradas?); seriam os hospitais do Rio de Janeiro equipados com furadeiras indutriais no lugar de brocas cirúrgicas?

O alvissareiro vai falar hoje à tarde, contará suas alvíssaras. Escrevo antes de ouví-lo, antes de saber quais serão. Confesso que não vou ouví-lo, não tenho a menor curiosidade ou interesse pelo o que ele vai dizer. De uma coisa tenho certeza: sejam quais forem, para mim não significam nada, pelo simples fato de que elas só existem no mundo dos sonhos. No meu dia-a-dia, no mundo da realidade, tudo continua igual ou pior, como sempre…

A Gosma

Dezembro 26, 2007
O título parece ter sido extraído de um dos filmes bê de George Romero, mas não. Falo de uma outra gosma, que nada tem a ver com a meleca cinematográfica que invadia a tela dos cinemas do meu bairro nas matinés da minha infância em tempos imeoriais – e isso antes da transmutação, da transformação das salas de cinema em bingos, e bem antes do advento dos cinemas dos shopping centers.

Essa gosma – a desse texto -é formado pela secreção corporal, tão logo tem início o verão aqui em Porto Alegre. Ela chega com o verão, sai provisoriamente nos banhos, nos ambientes dotados de ar-condicionado, para voltar a se instalar, como uma veste, sobre o corpo dos habitantes dessa cidade até o final do período de verão – coisa compreendida entre dezembro e maio de cada ano.

Não se trata, pois, de questão de falta de higiene, ou opção pessoal, mas de uma verdadeira sina de quem mora nessas bandas. Não acredita? Passa por aqui e prova da nossa gosma. Ela é inesquecível!.

O Grande Mágico

Dezembro 25, 2007

Qual a grande qualidade de um mágico? Iludir, enganar, confundir são as características de um grande mágico, e grnde é aquele que consegue fazer você ver o que não viu. E nós – ao que parece – eetamos vivendo sob o encantamento de um mago. Explico. Vejo – porque sou muito cético para acreditar em magia – e vivo em um país em que as deficiências são visíveis, em que graves problemas saltam aos olhos.

Na saúde um massacre, pacientes com consultas marcadas em prazos que extrapolam um ano, ou pacientes em estado grave, de uti, buscando vagas na justiça; a segurança pública é uma guerra civil declarada, assassinatos, assaltos, balas perdidas que sempre “acham” vitimas todos os dias; estradas que são um caso de polícia, vitímas no transito em profusão. Enfim, uma total ausência do estado, que cobra um dos maiores impostos do mundo.

Pois de quem vive sob um governo desse o mínimo que se poderia esperar seria descontentamento, inconformidade, e um desejo de mudanças. Mas não é o que se vê no país, as pesquisas de opinião estão aí a demonstrar um grande grau de satisfação do povo com o governo. Como diz o – sábio – ditado: “cada povo tem o governo que merece”.

183.987.291

Dezembro 21, 2007
Cento e oitenta e três milhões, novecentos e oitenta e sete mil, duzentos e noventa e um. Este é o nosso número, ou o número que expressa quantos somos, o número que nos representa. Somos, cada um de nós, uma unidade formadora desse todo, uma minúscula parte dessa montanha de gente. Um muito que parece muito quando comparado a um pequeno emodesto Uruguai, ou muito que parece quase nada quando comparado a uma bilhonária China ou a uma Índia.

Somos muitos, e – característica marcante dos grupos que formam muitos – somos diversos. talvez excessivamente diversos para que possamos ser chamados de nação – que subentende um todo – ou de um só povo. E, no entanto, é isso que somos. E essas diferenças nos fazem pouco unidos, menos em características e mais em ideais. Assim, vamos vivendo em um país que abriga vários, uma nação multifacetada, esfarrapada.

183.987.291. Não será esse número, ou qualquer outro número absoluto que nos fará grandes. Dentro desse universo se escondem estatísticas terríveis, tristes, números que nos fazem menor, pequenos, nos tornam -ainda! – uma sub-nação…