Arquivo da categoria ‘Brasil Irreal’

Como assim?

Março 7, 2008

Ouço constantemente o nosso sábio presidente a se pavonear do crescimento, da prosperidade da nação. Como se fosse resultado de alguma medida em alguma medida de sua autoria, ou uma resultante da sua sábia administração. Na verdade ele sabe, “Tenho sorte”, diz, reconhecendo que não lhe cabe outro mérito.

Taxas de juro remuneram o capital. Quanto maior o risco no investimento, maior a taxa que o remunera – lei da economia de mercado. As taxas de juros do país são, afirmam os economistas, as maiores taxas de juros do mundo. Qual a relação entre essas duas afirmações? ë possivel ter a maior taxa de juros do mundo numa economia dita instável e próspera?

Como assim?

Máquina do Tempo

Março 3, 2008
Dispor de uma máquina do tempo sempre foi um dos sonhos da humanidade. Desnecessário descrever as utilidades de tal equipamento. Pois olhando para a realidade do nosso País eu diria que é possível viajar no tempo sem ter a máquina. Você duvida?
Vou da um exemplo. Quando foi que Thomas Alva Edison inventou a lâmpada elétrica? Foi há mais de dóis séculos, em 1878. Era de se prever que essa etapa se constituia em uma página virada na história da humanidade. Era, mas não é o que acontece no nosso País.

Não se trata de exigir que a energia elétrica esteja presente em todos os confins do território, é preciso reconhecer que em certas áreas isoladas tal pretensão é economicamente inviável. Mas você encontra grupos populacionais no interior desse País em que a luz ainda é sonho. Esse dias assistia a televisão e a moradora do sertão de Pernambuco dizia que “o sonho da minha vida é ter uma lâmpada em casa”.

Para essa pobre moradora o invento de Edison, de 1878, ainda não chegou em pleno século XXI…

Mau diagnóstico

Fevereiro 28, 2008
A cura de qualquer doença começa no acerto do diagnóstico. Doença mal diagnosticada, implica em cura não alcançada. E um dos setores em que só vejo desacertos no diagnóstico é o da segurança pública. Na análise dos altos índices de violência que assola nosso país, supostos “entendidos” na matéria, costumam atribuir tudo aos problemas sociais do país.

Não há como negar que enfrentamos graves problemas sociais no país, ainda convivemos com a miséria e com a falta de uma distribuição de renda mais justa. O erro está em atribuir a esses problemas a causa de toda a violência. Acreditem, apesar de toda a propaganda das esquerdas, não é só isso! Se fosse somente isso, como explicar quando os autores pertencem as classes mais favorecidas?

Insisto! Criminalidade se combate com punição severa, com a certeza de que ninguém ficará impune se cometer qualquer crime. Enquanto vigorar a prática de que é fácil cometer crimes e permanecer impune, não se conterá a onda de violência no pais.

Blindagem

Fevereiro 27, 2008
O que dizer dessas CPIs instaladas para não investigar absolutamente nada? Melhor seria que nem sequer fossem instaladas, pois da forma como atuam representam um aval oficial sobre a corrupção, sobre a ilegalidade. Formadas por maioria governamental, qualquer tentativa de chegar perto de algum resultado prático, resulta em uma imediata “blindagem” dos parlamentares governistas. Resultado: muito barulho por nada.

Longe estão os mecanismos democráticos de garantirem transparência aos atos governamentais. As CPIs, como outros mecanismos do tipo, sempre esbarram num proselitismo vazio: acusações de uso político de uma parte, e da tentat6iva de encobrir falcatruas do outro. Algumas proporcionam um espetáculo burlesco e sem a mínima graça, botam fora mais dinheiro do contribuinte – além do normalmente roubado nas falcatruas – sem chegar a nenhum resultado prático, sem encontrar culpados.

Consuma com moderação

Fevereiro 26, 2008
Alguem leva a sério o aviso que se lê nos rótulos das garrafas de cerveja produzidas no Brasil, o famoso “Consuma com moderação”? Essa, definitivamente, não é uma frase ouvida em muitas rodinhas de bar: – Outra rodada? – pergunta o bebedor inveterado, ao que o parceiro de copo, nesse caso o moderado, responde: – Não, obrigado, preciso consumir com moderação.

O brasileiro precisa levar mais a sério os rótulos! Eu sou daqueles que acham que nos rótulos está a salvação nacional. Principalmente esse “Consuma com moderação”, que deveria estar afixado a várias das chamadas paixões nacionais. Futebol, novelas, vida de celebridades, bigs e pequenos brothers, entre outros perigosos e nocivos itens, deveriam conter o aviso em letras garrafais – sem falsos trocadilhos.

A mediocridade nacional está em grande parte associada com o exagero no consumo desses perigosos itens, parte do cardápio nacional e que sào ingeridos compulsiva e obsessivamente por brasileiros de todas as classes.

A Taça Transbordou!

Fevereiro 18, 2008

Saber esperar, ter paciência é uma virtude desejável. Não sei dizer se sou o que se poderia chamar de um indivíduo paciente, acho que sim, ao menos no nível mínimo necessário a sobrevivência. Tenho esperado, esperei, pacientemente, por mudanças nesse país. Seja sob a perspectiva de um “país do futuro”, seja pelos novos ares que nos trariam a democracia, depois dos escuros anos da ditadura.

Passados quase trinta anos da redemocratização do pa;is, constato que continuamos cometendo os mesmos erros, a corrupção continua grassando, perdemos a liberdade, não por um ato de arbítrio, mas, ao contrário, pela frouxidão das nossas leis, pela covardia ante o crime. A educação não se impôs, a melhor divisão da renda não passa de um programa assistencialista e sem futuro, continua a briga no campo, aumentou a violência nas cidades.

Não há nada a comemorar.

Tropa

Fevereiro 11, 2008
Tropa de Elite, filme brasileiro de José Padilha, concorre ao preêmio do Festival Internacional de Cinema de Berlim. Não são poucos os que procuram negar a realidade denunciada no filme, que são as classes mais abastadas da nossa sociedade – os consumidores – as responsáveis pelo tráfico de drogas.

Pensam que negando essa realidade vão modificá-la ou ocultá-la. Uma atitude mais madura é aceitá-la e procurar meios que minorem ou resolvam o problema. Sem um mercado consumidor – de viciados – não ha mercado vendedor – traficantes.

Esse é mais um dos nossos males; não é incomum gente que, apesar de reclamar da violência no país, adquire produtos piratas ou que são obtidos através do crime – furtados ou roubados. Esquecem-se de que dessa forma estão justificando e alimentando novos crimes.

Igualdades

Fevereiro 10, 2008
O governo federal se defende da publicada “farra dos cartões de crédito corporativos” com uma tese edificante: como existe igual farra no governo (Tucano) de São Paulo, então, tudo bem. Entende-se que queiram nos dizer algo do gênero, “não é que façamos o certo, mas nosso erro se justifica na medida em que a oposição também erra”.

Agora eu pergunto: e, nós, os contribuintes, que não participamos da farra, ou participamos pagando a conta, sendo lesados em ambos os casos, qual o nosso consolo, qual a justificativa para nós? Devemos nos considerar os otários do pedaço e achar que tudo está certo?

Os mais iguais

Fevereiro 9, 2008
Nos regimes de esquerda a propalada igualdade, que funciona para o povo, não se aplica àqueles que governam, estes gozam de privilégios que os fazem mais iguais do que os iguais. Aqui no Brasil, nossos governantes, que se dizem de esquerda, aplicam essa mesma máxima.

Enquanto são duros, inflexíveis até, na negociação com os funcionários públicos, para si, mantém um salário de fachada enquanto engordam o orçamento com participações nos conselhos de administração das empresas estatais. Os funcionários públicos não necessitam de reajustes, enquanto seus salários chegam a triplicar.

Como é bom fazer e ditar política para os outros!!

Deixa que eu chuto

Fevereiro 8, 2008
Ante a inevitabilidade de instalação de uma comissão parlamentar de inquérito – CPI – instrumento tido e sabido como mecanismo das oposições investigarem os atos do governo -, o governo resolveu novamente ser criativo, resolveu inovar: criar a CPI chapa branca, oficial, destinada a levar do nado ao lugar nenhum.

Ou o governo acredita que a população irá dar crédito a uma comissão formada por situacionistas? Santa inocência, Batman!