Arquivo da categoria ‘Constatações’

Saudável

Agosto 29, 2007
Saúda-se nosso Supremo Tribunal Federal pela decisão do rumoroso caso do mensalão (compra de apoio político para o partido do governo através de pagamentos mensais à oposição). Fala-se em independência, integridade e coerência, como se fossem atributos extraordinários, quando são o mínimo que se pode exigir de mais alta corte de país.Entendo que essa decisão não acrescenta, nem diminui o supremo, apenas confirma o que se poderia esperar. Talvez o espanto advenha da nossa costumeira convivência como o torto, com o errado, com o moralmente incorreto. Ou talvez isso dê uma pálida idéia como é extraordinário se cumprir o dever nesse país.

Elocubrações

Abril 21, 2007
Não posso tirar os meus olhos de você… (Damien Rice – The Blower’s Daughter) – A música não sai da minha cabeça. Depois de tanto tempo, depois daquela terrível tradução, achei que o tempo e tudo isso iria fazê-la passar. Estava enganado… ela continua lá…
A vida é feita de momentos, átimos de tempo que congelamos, arquivamos, amontoamos no hd da memória. A vida é instantânea, momentânea, sucedânea, uma coletânea de eventos bons ou maus…
Vivo o tempo, mato o tempo, e ele mata-me, eu mato-me assim, porque no passar do tempo passo eu, sou passado, ido, vivido, contado, um acontecido e fim.

O velho mundo de sempre.

Outubro 24, 2006
Passou um inverno inteiro sem que eu aparecesse por aqui para atualizar o blog; durante esse tempo perdemos o hexa, e estamos indo para o segundo turno de uma eleição falida – que, sei, nós perderemos independente do resultado final!Aconteceram muitas coisas, muitos fatos, nada abalou muito esse nosso mundo. Talvez seja mais justo dizer que nada abalou muito o meu mundo, a vida é assim, particularizada, sei que para muitos esse período pode ter representado a mudança de tudo.

Feliz ou infelizmente devo escrever sob o meu ponto de vista, não que os outros não me importem, mas é a limitação da nossa vida que nos impõe a restrição. Até o próximo!

Das Dores

Janeiro 30, 2006

Elas existem e se caracterizam, apesar de toda a solidariedade que existe no mundo, pela sua característica personalissíma. Você se condói pelo amigo, pelo parente, pelo conhecido, pode fazer o máximo de esforço ao “vestir a pele do lobo”, ainda assim é uma tarefa inglória. Foi igual a sua? Um caso semelhante, um acontecido quase idêntico, nem assim, que cada um reage ã dor segundo lhe dita o coração.

Não julgo, não meço, não avalio, só me resta ser um ombro amigo, um ouvinte paciente e conselheiro parcimonioso. O único remédio, realmente eficaz na cura das grandes perdas é o tempo, necessário para a cicatrização de todos os ferimentos. Sangramos durante algum tempo e, ao final, o ferimento cura – nas vezes em que há uma cura -, mas sempre resta uma cicatriz, a marca, a nos lembrar do acontecido.

Chegamos ao final de Janeiro. Ainda ontem eu brincava com a passagem do tempo. Hoje constato que já não há mais tempo para brincar com o tempo.

Coisas Perigosas!

Janeiro 23, 2006

Diariamente todos procuram desempenhar as suas profissões com dedicação e profissionalismo. Todos querem fazer o que é certo, no íntimo querem acertar. Muitos, além desse querer que caracteriza os demais, precisam, devem acertar, simplesmente não podem errar, não tem o direito a um erro sequer. Mas errar é humano, não é isso o que todo mundo diz?

Onde está a margem de erro do piloto de avião? Ele sabe que precisa acertar todas as decolagens, todos os seus pousos, todas as rotas. O seu erro todos conhecem como normalmente termina: em um desastre aeronáutico. E um cirurgião? Ele precisa acertar todas as suas operações, precisa manejar com precisão absoluta o seu bisturi. O seu erro? Muitas vezes vai estar na “causa mortis” do de cujus: erro médico.

E os policiais? Onde entram nessa história? Há pouco aqui no Rio Grande do Sul, na operação para prender um bandido foragido, foi alvejado e morto um menino de três anos de idade. Motivo? Erro na operação policial, as coisas não saíram exatamente conforme o planejado. O policial precisa da mesma precisão do piloto, da mesma perícia do médico, mas tem que fazer isso com o seu salário de policial, com o treinamento de policial, com a instrução de um policial. E ai é que está o problema!

Não há como unir as três coisas. Com salário de policial näo dá para pagar precisão de piloto ou perícia de cirurgião. Se você duvida disso, tente convencer um médico ou um piloto a trabalhar com o salário de um policial, será que você consegue? Pois é, não há condições, então, infelizmente, mal comparando, entregar a sua segurança a um desses policiais, com salário de policial, será como ser “operado por um enfermeiro”, ou “ter o seu avião pilotado por um motorista de ônibus”.

Isso é viver perigosamente, não é mesmo?