Meliantes? É preciso colocar os pontos nos “is”, definir quem é meliante e quem não é, coisa que não parece pertencer ao terreno do código penal, mas de uma lei não escrita de usos e costumes. Surge logo a separação dos que são desiguais perante a lei.
Como comparar ladrões de galinha com políticos corruptos? Uma questão, antes de tudo, da limpeza, da assepcia aplicada aos crimes. Um crime sujo, que envolve penas e galináceos não merece maiores considerações, o preso pode ser conduzido com algemas e submetido ao constrangimento de ter o seu nome divulgado na imprensa.
Já nos crimes limpos, nos colarinhos e nos punhos brancos, imaculados, não há como aceitar o uso das algemas ou a divulgação na imprensa. São casos diversos, coisas incomparáveis. Como comparar um roubo de galinhas, crime famélico – e sujo, pela própria característica dos galinheiros – com esses outros casos refinados?
Casos que só afetam a saúde, educação, segurança, estradas, enfim, esse tipo de serviços público feito pra atender pobre que, cá pra nós, não conta muito no cenário, não é mesmo? Além do mais, o dinheiro retirado dos pobres tem bom uso, as verbas são surrupiadas por gente de luxo, por gente limpa, tornando-os ainda mais ricos, com mais condições de sustentar a limpeza e o luxo.
Depois, como disse Joãozinho Trinta, quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta mesmo é de luxo…