Arquivo da categoria ‘Filosofias’

Filosofias

Fevereiro 29, 2008
A filosofia não sobrevive sem uma certa “frescura”, sem um certo charme que só quem tem algum recurso financeiro pode se dar ao luxo de ter. Não! Não há nada que impeça um pobre de filosofar, até porque dinheiro e inteligência não são sinônimos, mas, mesmo assim, sempre parece que vai sair porcaria, não vai ficar ao gosto da massa. Aplicando a teoria de Joaozinho Trinta à filosofia, eu diria que pobre gosta é de filosofia de rodinha de pagode, filosofia séria é coisa para os “círculos superiores”.

Se você ler a coluna de algum pensador cult, verá que contém citações a viagens pelo velho continente, um luxo proibido para a classe de baixo da pirâmide social, para o “miserê”. Estava lendo há pouco a coluna de um conhecido pensador e jornalista, com citações à Espanha, ao cineasta Almondóvar. Alguém que respirou o ar madrilenho e chegou a conclusão de Madri sem Almondóvar não será nunca Madri. Como você poderá chegar a mesma conclusão, digamos, escrevendo aqui do Partenom em Porto Alegre?

É por isso que eu fico com os temas mais simples, sem me arvorar a saltos maiores; essa coisa de viajar em livros ou pela cabeça dos outros pode quebrar um galho, mas nunca é a mesma coisa.

Paixões

Fevereiro 26, 2008
Diferenciamos os nossos sentimentos, submetendo-os a uma classificação, uma graduação do ato de gostar. Gostamos, apaixonamo-nos, amamos alguém, diferentes formas de expressar o nosso sentir, de proclamar o nosso afeto. Como toda classificação, nesse caso, o sentimento deve estar sujeito à diversos graus, conforme o comprometimento com alguém. Difícil é dizer onde acaba um e começa o outro sentimento nessa escala de valores do sentir.

Paixão, do Lat. passione, sofrimento. s. f., sentimento excessivo; amor ardente; afecto violento; entusiasmo; cólera; grande mágoa; vício dominador; alucinação; sofrimento intenso e prolongado; parcialidade. Nessa definição dicionariana, a paixão assume formas tão diversas quanto “amor ardente” e “cólera”. O termo parece querer representar um amor desajuizado, irracional, se é que é possível achar alguma razão no ato de gostar.

E são as paixões nacionais, pelo futebol, pelas novelas, pela vida das celebridades e pelo carnaval que se enquadram nesse “gostar irracional”. Gostamos, e gostamos desajuizadamente, sem medidas, de coisas pouco construtivas para uma nação. Tivéssemos paixão pela justiça, pela ordem e pelo progresso e esse país seria bem diferente.

Cuba e as “democracias socialistas”

Fevereiro 21, 2008
Depois de governar a ilha de Cuba por “só” quarenta e nove anos, O Comandante Fidel Castro apresentou sua carta de renúncia – provando o seu desapego ao poder, segundo o presidente Chávez da Venezuela. Assun é difícil de entender, segundo a filosofia chavista, o que é ser apegado ou desapegado.

Diz o ditado que o pior cego é aquele que se recusa a ver, e este é o proceder daqueles que defendem que existe uma democracia em Cuba. Há algo muito errado nisso, ou o conceito de democracia é uma porteira muita ampla que aceita qualquer coisa. Para se entender essa amplitude, convém estudar a diferença entre os dois regimes que dividem o mundo: capitalismo e comunismo.

Simplifico, porque este não é um espaço adequado para a discussão com profundidade desse tema, focando o comportamento do sujeito ativo e passivo desses regimes, o cidadão. Nós possuímos natural inclinação para o ter, toodos, podendo, querem ter.

No capitalismo impera uma certe meritocracia, remunera-se cada um baseado numa escala de valores que leva em conta os dotes de cada um. Nos sistemas comunistas propõe-se uma divisão igualitária dos bens entre todos. Por isso, erram aqueles que afirmam que, aberta essa possibilidade, todos os cidadãos de Cuba abandonariam a a.

Só abandonariam a ilha, a maioria dos que, por acharem que possuem mérito, julgassem que possariam a “ter” muito fora dela. E é por isso que  é necessário manter esses indivíduos presos no paraíso cubano. Resumo da ópera: para obter igualdade é necessário acabar com a liberdade, motivo pelo qual não há democracias socialistas.

Balançando

Fevereiro 10, 2008
A vida balança, me sacode, mexe, muda, sempre alternando as posições. É um sobe e desce de valores, de idéias, opiniões e situações. Sou um ser instável, balanço também, como se a linha da vida evoluíssse numa corda bamba. Mudo eu, mudam os parâmetros de avaliação, tudo evoluí.

Viver é transformar-se, adaptar-se, e também resistir as mudanças que julgamos inapropriadas. É preciso seguir uma receita que prega coerência, atendendo ao senso comum, mas evitar ser taxado de continuista, manter espírito inovador.

Nem sempre consigo seguir esse receituário, erro. Busco corrigir, acertar o rumo. A vida é assim mesmo; para ser feliz é necessário saber-se imperfeito, falível.

Sabedoria

Fevereiro 7, 2008
Ensinam as Escrituras que “a quem muito foi dado, muito será cobrado”. Defendo a mesma tese, saber implica em receber a dádiva do conhecimento e, com ela, o ônus de uma maior dificuldade de ser feliz, pela necessidade de lidar com as as frustrações. Os simples são mais felizes na sua ignorância.

Enquanto…

Agosto 29, 2007
Enquanto não for comigo, tudo bem. Resta saber até quando? Até quando serei espectador, um assistente, alguém que estava presente, mais um na multidão. Enquanto isso a bala perdida encontrava seu alvo, o assassino, sua vítima, o vigarista um otário, o vírus um hospedeiro, o avião fazia seu último pouso…

Papo legal

Abril 25, 2007
Hoje estava discutindo filosofia de segurança pública com o Policial Militar que (creiam-me) encontrei fazendo o policiamento preventivo na rua. O meu espanto é justificável, encontrar um policial militar na minha rua é evento extraordinário, coisa que vale para praticamente toda a cidade – em alguns bairros mais ricos eles são mais freqüentes!

Há muito que o policiamento dito preventivo – que evita a ocorrência do delito – deixou de existir. Polícia virou bombeiro, só aparece para apagar o incêndio, ou quando o crime já aconteceu. Até inventaram um documento chamado “termo circunstânciado”, na prática o registro da ocorrência, que deveria ser feito pela Polícia Civil, mas que foi “inventado” para ser lavrado pelos PMs, já que hoje eles não tem outra função.

Qual a finalidade de uma polícia dita preventiva que só chega depois que já ocorreu o delito? Se algum entendido no assunto souber, responda.

Querer demais

Abril 20, 2007

Querer a paz é querer demais? Primeiro é preciso aceitar: o homem é imperfeito, logo nosso mundo é imperfeito. A perfeição feita por imperfeitos é ilusão. Os regimes políticos – ou sistemas econômicos – não funcionam porque partem de premissas fundamentais erradas.O egoísmo humano condena tanto um, quanto seu opositor. Num sistema capitalista o egoísmo que o faz funcionar é o mesmo que o faz ser desigual. Nos sistemas comunistas a morte desse egoísmo – pela extinção dos direitos individuais – liberdade e propriedade, por exemplo – é o que mata o sistema, não há acumulo, logo se obtém uma igualdade na miséria.

Não há, nem haverá igualdade na riqueza. Essa é a utopia. A paz é filha da igualdade. Sem igualdade não há paz. Sempre haverá alguém querendo tomar o que não lhe pertence, ou por cobiça, ou por inveja.

Quando o nome não diz nada

Abril 13, 2007
Adoro essa nomenclatura dos blogs. Sucrilhos Encaracolados? Abacate Com Xuxu? Pois é, acabo de criar o Cagandus e Andandus, se bem que poderia ser Defecandus e Locomovendis, vou ver, se esse nome estiver disponível, criarei outro. Um momento. por favor…Voltei! Boas novas! O blog foi criado! Confira o “Defecandis e Locomovendis“, um blog para quem “caga e anda”, ou para quem prefere cagar parado. Assim, guardadas as devidas proporções, esse aqui é um blog para quem defeca e se locomove – e, como irão poder constatar com o tempo, mesmo sem medir os soretes, um blog muito mais fino!

Apesar desse começo escatológico, prometo manter os assunto afastados das fezes propriamente ditas, não querendo, com isso, prometer que vou deixar de escrever muita – e sobre – merda nesse espaço. Vocês sabem como é, vivendo no nosso país é difícil se manter afastado do assunto…

Medos

Março 26, 2007
“Aqueles que tem medos, reais e ilusórios, ao contrário do que o bom senso recomenda, não lutam pela superação das suas fraquezas, mas para confirmar a realidade e a irrealidade deles. Porque só assim eles passam a fazer sentido”. – Ronaldo Souza em “Viver tem as suas manhas”.