Quando os mágicos neoliberais assumiram o controle do país o total da dívida pública representava 28% do PIB. Era necessário a adoção de medidas urgentes que saneassem a “coisa pública”; medidas amargas, como soem ser esse tipo de medidas. O espetáculo começou pelo aniquilamento sumário do patrimônio estatal, segundo os mágicos de plantão “o verdadeiro culpado” pelo estado lamentável do endividamento estatal. “Essa excessiva intromissão do estado no dominio econômico é a causadora desse mal!” – preconizavam, doutos, eles.
O Estado, diziam outros gurus neoliberais, só deve interferir minimamente nas atividades onde a sua presença é exigida e obrigatória, onde não há como transferir a sua missão para a iniciativa privada, a chamada Teoria do Estado Mínimo. O estado visto como um grande vilão e, como tal, quanto menor ele for, menor serão os danos que ele causará a sociedade “que vive sendo explorada” por ele.
O Estado brasileiro fez mais do que se desfazer do seu patrimônio estatal, financiou o capital internacional para que adquirisse o patrimônio até então público e considerado “nocivo ao país”. Uma companhia do porte da CSN – Companhia Siderúrgica Nacional – a maior produtora de aço e ferro do mundo, que atualmente fatura 4,5 bilhões de dólares por ano, foi vendida por 3,2 bilhões de dólares – um negócio da china. Como se vê, o Estado fez grandes negócios.Os gurus diziam, à época, que as vendas tinham dupla vantagem: eliminavam “fontes de problemas” e ainda arrecadavam quantias para o pagamento – e conseqüente diminuição – da dívida pública do país.
Passaram-se doze anos dessa fase “mágica”. Duas administrações: do mago Fernando Henrique Cardoso – que Deus o guarde – e uma do atual presidente – e copiador fiel – Luiz Inácio – que Deus igualmente o guarde, amém. Resultado dessa política de eliminação do patrimônio público, somada à aplicação do receituário do FMI de obtenção de superavits primários – pela mera supressão dos serviços essenciais à população -, que também provocou o achatamento salarial e o desemprego, mais a prática dos juros reais mais altos do mundo, foi o seguinte: a dívida pública aumentou e hoje atinge quase 60% do PIB, quantia próxima do valor de R$1.000.000.000,00 (um trilhão de reais).
Quem errou? Foi um erro técnico? Foi má fé? Depois de mais de uma década pagando juros exorbitantes, o povo massacrado sem empregos, sem serviços essenciais, ao final, a dívida aumentou. E agora? O que acontecerá com Luiz Inácio? Com Palocci? Nada. Acontecerá o mesmo que já aconteceu com FHC e Malan, serão premiados com aposentadorias e com empregos milionários, darão palestras ganhando milhares de dólares, pegarão suas malas e seus chapéus e darão uma banana para o povo brasileiro.Nós, que – como sempre! – ficaremos com essa pequena “continha” para pagar.